| CAPÍTULO
9 - Os países emergentes |
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| O crescimento do Brasil, do
México e da Argentina foi muito rápido nas décadas
de 1950 e 1960, estendendo-se até meados da década seguinte,
quando teve início uma fase de crise interna, resultante do esgotamento
do modelo econômico, aliado a uma crise internacional do capitalismo,
agravada por dois choques do petróleo (1973 e 1979). Na passagem da década de 1960 para a de 1970, o crescimento econômico do Brasil chegou a ultrapassar os 10% anuais, período este chamado de milagre brasileiro. No entanto, o rápido crescimento desses três países esteve assentado em recursos estrangeiros. Havia, na época, uma abundância de dinheiro disponível no mercado financeiro mundial, e isso manteve as taxas de juros muito baixas, permitindo que esses países se endividassem pesadamente. Nas décadas de 1980 e 1990, a dívida continuou crescendo e, atualmente, esses três países são os maiores devedores da América Latina e estão entre os mais endividados do mundo subdesenvolvido, em valores absolutos (veja a tabela a seguir). Entretanto, outros países com dívidas menores, por terem menor capacidade de pagamento, apresentam um endividamento relativamente maior. O Brasil, por exemplo, que tem a maior dívida do mundo subdesenvolvido, ainda está entre os menos endividados, se considerarmos a relação dívida/PIB. Nesse período, excetuando o México, todos os países da tabela aumentaram a relação dívida/PIB, a qual mostra melhor o aumento do endividamento. |
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Os governantes de então,
no Brasil, no México e na Argentina, entre outros países,
não comprometidos com a melhoria das condições
de vida da população, aceitaram condições
extremamente desfavoráveis ao tomarem os empréstimos.
Grande parte de sua dívida foi contraída num momento em
que os juros internacionais estavam baixos, mas eles não foram
fixados nesse patamar. O dinheiro foi tomado emprestado a juros flutuantes,
ou seja, as taxas para a amortização futura da dívida
passariam a oscilar em função do mercado. Depois da primeira
elevação provocada pela primeira crise do petróleo,
em 1973, houve uma segunda elevação das taxas, com a segunda
crise, em 1979 (as crises petrolíferas serão analisadas
no capítulo 1 da unidade 9). No final da década de 1970
e início da década de 1980, como resultado de uma política
do governo norte-americano de manutenção de altas taxas
de juros para atrair investimentos e financiar seu imenso déficit
orçamentário e comercial, os Estados Unidos, onde estava
a maioria dos credores, converteram-se num grande “aspirador”
de dinheiro no mundo. Assim, além de não sobrarem muitos recursos para os países subdesenvolvidos, ainda houve uma elevação artificial de suas dívidas, que estavam atreladas às taxas de juros praticadas pelos Estados Unidos. O sinal de alerta da crise foi dado em 1982, quando o México decretou a moratória moratória9, ou seja, suspendeu o pagamento de sua dívida. Desse momento em diante, aprofundou-se nesses países a política do “exportar é o que importa”, visando a obtenção de moeda forte, sobretudo dólares, para o pagamento dos juros da dívida. No entanto, esse enorme esforço exportador acabou provocando uma redução dos preços dos produtos primários, na época predominantes na pauta de exportação, reduzindo a entrada de receitas em moeda estrangeira. De modo análogo, os governos mantinham uma política de forte contenção de importações, que eram constituídas basicamente de produtos industriais. Tal medida provocou o sucateamento dos parques produtivos, dada a impossibilidade de comprar máquinas e insumos necessários à sua modernização. Sob monitoramento do FMI, para conseguir saldos na balança comercial que possibilitassem o pagamento dos juros da dívida, tudo era válido: arrocho salarial e desvalorização cambial para tornar os produtos mais competitivos no exterior, altas tarifas de importação, reserva de mercado para determinados setores, medidas recessivas que acabaram levando à concentração de renda e à contração do mercado interno. A combinação de altas taxas de juros (portanto maior endividamento) com baixos preços de produtos de exportação (portanto menores receitas) só podia resultar, para muitos países, em uma profunda crise econômica. A crise da dívida atingiu os países subdesenvolvidos em geral, mas em particular os latino-americanos, os mais endividados. A década de 1980 foi, assim, a década perdida para esses países: suas economias sofreram com recessão e hiperinflação, principalmente a Argentina e o Brasil, acentuando a concentração de renda. Para agravar tudo isso, a maior parte da dívida foi contraída por regimes ditatoriais e corruptos, portanto, sem legitimidade. Grande parte dos empréstimos foi gasta em obras de interesse social e econômico duvidoso — não garantindo, portanto, o retorno do investimento feito —, sem contar que parte do dinheiro foi pura e simplesmente desviada para paraísos fiscais no exterior. A década de 1990 foi marcada pela tentativa de estabilização das economias dos países latino-americanos, paralelamente à implantação de políticas econômicas neoliberais. Medidas de controle da inflação, combinadas com privatização de empresas estatais e abertura econômica, avançaram em vários países. Com a globalização financeira, mudou-se a modalidade de endividamento; entretanto, as crises continuaram, como veremos a seguir. |
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