CAPÍTULO 3 - A produção de energia no Brasil
O transporte no Brasil

 
 
A energia produzida com um litro de óleo diesel transporta, numa rodovia, uma carga de 30 toneladas. Essa mesma energia, se for consumida numa ferrovia, transporta 125 toneladas e, numa hidrovia, 525 toneladas. Em resumo, o transporte rodoviário consome quatro vezes mais energia que o ferroviário e quinze vezes mais energia que o hidroviário (marítimo, fluvial e lacustre) para percorrer o mesmo percurso levando a mesma carga ou o mesmo número de passageiros. Outra vantagem é que um trem ou um navio transportam a carga que exigiria a utilização de dezenas ou centenas de caminhões.

Segundo o Ministério dos Transportes, em 2000 o Brasil possuía 1 724 929 km de rodovias, dos quais somente 164 988 km eram pavimentados, contra 29 283 km de ferrovias espalhadas em seus 8 547 403,5 km2. Como o país possui dimensões continentais, nosso modelo de transporte de cargas seria mais econômico se tivesse priorizado os sistemas ferroviário e hidroviário-marítimo, que consomem menor quantidade de energia. Entretanto, é freqüente o transporte em caminhão de mercadorias fabricadas em São Paulo, ao lado do porto de Santos, a cidades portuárias, como Recife ou Porto Alegre, o que aumenta o custo final dessas mercadorias.

Essa opção política pelo sistema rodoviário se iniciou na segunda metade da década de 1920, ao longo do mandato de Washington Luís, cujo slogan de governo era: “Governar é abrir estradas”. Ainda no século XX, Getúlio Vargas, promovendo a integração das regiões brasileiras, Juscelino Kubitschek, com seu Plano de Metas e a construção de Brasília, e os presidentes militares do período da ditadura, com o programa de integração do Norte e Centro-Oeste às demais regiões, também priorizaram as rodovias. Isso se explica por uma associação de fatores: é mais rápido e barato construir uma rodovia que uma ferrovia, o setor rodoviário e as indústrias automobilísticas são grandes geradoras de empregos diretos e indiretos, pressão política de empresas multinacionais, falta de planejamento estratégico de médio e longo prazo e baixos preços do petróleo até 1973.

Somente a partir do final da ditadura militar (principalmente após 1996, com o início do processo de privatização e concessão de exploração de portos, rodovias e ferrovias), os investimentos começaram a ser distribuídos de maneira mais equilibrada entre os vários tipos de transporte, com redução na participação percentual das rodovias e aumento das ferrovias e hidrovias no transporte de cargas a longa distância.

Assim como a energia elétrica e o petróleo, os transportes terrestres e aquáticos são fiscalizados e regulamentados por agências: em 2001, foram criadas a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ).

As rodovias apresentam a vantagem da mobilidade, o que não se verifica nas ferrovias ? por dependerem de estações — nem nos portos — onde há um limite no número de embarcações com permissão para atracar. Além disso, o sistema rodoviário é insubstituível em trajetos de curta distância, pois é economicamente inviável a construção de estações ferroviárias e portos muito próximos uns dos outros.
 
Percentuais do transporte de carga em países selecionados
 País (ano da pesquisa) Rodoviário Aquaviário* Ferroviário
Alemanha (2000) 63 17 20
Brasil (2000) 60 14 21
China (1996) 13 50 37
Estados Unidos (1997) 33 23 44
França (1998) 74 4 22
Japão (1998) 55 41 4
México (1997) 74 9 17
EMPRESA Brasileira de Planejamento de Transportes. Ministério dos Transportes. Disponível em: <www.geipot.gov.br>. Acesso em: 3 jul. 2003.
* Transporte em rios, mares, lagos etc.
 
Em países com uma malha de transportes mais eficiente, ocorre uma associação entre os tipos de transportes utilizados para deslocar as cargas a longas distâncias, conhecida como sistema multimodal. Nesse sistema, a carga é transportada por caminhões em viagens de curta distância até a estação ou o porto e passa a ser transportada por trens ou navios em viagens de grandes distâncias.
 
Brasil: redes de transporte
 
 
voltar imprimir
 
www.scipione.com.br