| CAPÍTULO
1 - O espaço urbano do mundo contemporâneo |
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Com o advento do capitalismo
em fins do século XV, ainda em sua etapa comercial, a cidade
voltou a ser o centro de trocas, pois o comércio tinha como objetivo
fundamental a acumulação de capitais. Não imperava
mais o escambo (a troca de um produto por outro) ou mesmo a venda de
produtos para a imediata aquisição de outros mais necessários.
Em vez disso, passou-se a comprar coisas que pudessem ser vendidas por
um preço maior, com a finalidade de obter lucro, ou seja, as
coisas passaram a ser mercadorias. A partir daí, a cidade voltou
a ser o lugar privilegiado para a realização do comércio
e a urbanização foi ganhando cada vez mais impulso. Outro impulso fundamental à urbanização foi a volta do poder político às cidades. Com a progressiva centralização política dos Estados nacionais absolutistas, as capitais voltaram a ser o lugar do poder, novamente polarizando o domínio de grandes porções territoriais, a ser centros culturais, satisfazendo a necessidade de ilustração da nobreza e da burguesia ascendente. Assim, as capitais dos países adquiriram grande força econômica, política e cultural. Muitas cidades comerciais surgiram em torno dos castelos e das igrejas, no interior das muralhas, nos burgos, onde os comerciantes buscavam proteção durante suas longas viagens, particularmente na fase final do feudalismo. Com a expansão do comércio e a conseqüente concentração populacional, os burgos acabaram estendendo-se para além dos limites das muralhas, num crescimento concêntrico. |
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O capitalismo, portanto, surgiu
na cidade, ligado à busca de acumulação de capitais
por meio do comércio, e impulsionou o surgimento de muitos outros
núcleos. Com isso, foi se constituindo uma rede de cidades ao
longo das rotas comerciais, o que exigiu o gradativo aperfeiçoamento
do sistema de transportes. |
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AS CIDADES NO CAPITALISMO
INDUSTRIAL O início de um processo de urbanização verdadeiramente consistente, com uma grande expansão das cidades, só veio a ocorrer com o advento da industrialização e a conseqüente necessidade de concentração da produção. Mas é importante que se faça uma ressalva: a cidade não é um fenômeno criado pelo capitalismo. Ela precede esse sistema econômico, como foi visto no início deste capítulo, embora ele seja o grande responsável por um processo de urbanização que ainda está em curso. Outra associação de causa-efeito que costuma ser feita, mas que nem sempre é verdadeira, é a do desenvolvimento das cidades e da indústria. No entanto, é inegável que, sob o capitalismo industrial, a cidade ganhou um impulso sem precedentes na história e, visivelmente, modificou-se. A partir de fins do século XVIII, as cidades que mais cresceram foram as industriais. Mesmo aquelas que tinham outra função, seja político-administrativa, seja de infra-estrutura (fornecimento ou recebimento de matérias-primas, por exemplo) — mas que davam suporte à industrialização —, cresciam. Entretanto, se isso foi verdade na fase industrial e mesmo financeira do capitalismo, não é mais na fase atual, a informacional, como veremos no próximo capítulo. O capitalismo industrial, pela necessidade de produzir ao menor custo possível, precisou concentrar pessoas em áreas reduzidas do espaço geográfico. Nesse estágio do desenvolvimento capitalista, já havia um considerável avanço produção industrial, que exigia uma aglomeração de pessoas e de infra-estrutura — transporte, energia, comunicação etc. Ao mesmo tempo, já havia uma grande capacidade de produção de alimentos para abastecer as aglomerações urbanas em crescimento, acentuando a divisão do trabalho entre campo e cidade. O excerto abaixo ilustra bem essas afirmações. |
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O que se depreende do texto é
que as cidades ganharam fundamental importância durante o capitalismo
industrial, por reforçarem o papel de centro do poder político
e econômico, por serem o centro de troca e, diversamente da cidade
comercial, agora também da produção de mercadorias
— notadamente as capitais de Estado, como já mencionado.
É o caso particular de Londres, capital do Reino Unido, maior
cidade do mundo e sede do maior império colonial dos séculos
XVIII e XIX, desde então já uma cidade multifuncional. |
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Londres desempenhou para o Império
Britânico o mesmo papel que Roma desempenhara para o Império
Romano. Nesse sentido, “todos” os caminhos do Império
Britânico também levavam a Londres. Ocorre que essa cidade
não foi somente um centro político-administrativo, econômico
e cultural como era Roma. Muito mais que isso, foi, e continua sendo,
uma cidade industrial, portuária e um importante centro financeiro,
ou seja, a cidade moderna, inserida numa economia muito mais complexa,
possui funções bem mais diversificadas do que a cidade
antiga ou medieval. Além disso, Londres influenciava o campo britânico e uma série de cidades tipicamente industriais que foram surgindo nas regiões carboníferas do país, como Liverpool, Manchester, Birmingham, Leeds, Glasgow e Bristol. Influenciava ainda vastos territórios (cidade e campo), que davam suporte à produção industrial britânica, em várias regiões do globo. Londres foi, portanto, a “capital do mundo” durante o capitalismo industrial. |
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