O GOVERNO JOÃO
GOULART (1961-1964)
João Goulart foi um político populista
populista14
que exerceu o cargo de ministro do trabalho de Getúlio
Vargas e se elegeu duas vezes como vice-presidente, nos mandatos
de Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros. Na época,
era permitido votar em presidente e vice de partidos ou coligações
diferentes. No decorrer de seu governo, o Brasil passou por
uma grande crise política, iniciada em 25 de agosto
de 1961 com a renúncia do presidente Jânio, empossado
poucos meses antes. Essa crise agravou-se com os problemas
econômicos herdados do governo JK, como a dívida
externa e, sobretudo, a inflação.
A posse de João Goulart, em 25 de setembro de 1961,
ocorreu após a instauração do
parlamentarismo15,
que reduziu os poderes do chefe do executivo, ou seja, do
presidente. Essa manobra política foi a solução
encontrada para resolver uma crise institucional que abalava
a unidade dos setores militares: os três ministros das
forças armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica)
pressionavam o Congresso a votar pela desqualificação
de Jango (apelido de João Goulart) como presidente
por motivos de “segurança nacional” (na
verdade, temiam a instauração de um regime socialista),
mas vários comandantes regionais, encabeçados
pelo III Exército (Rio Grande do Sul), defendiam a
posse do vice-presidente para que a Constituição
não fosse violada.
Durante o período parlamentarista do governo João
Goulart (setembro de 1961 a janeiro de 1963), como o presidente
não conseguiu estruturar uma diretriz de política
econômica, houve aumento da inflação e
do desemprego e redução nas taxas de crescimento,
problemas que provocaram várias greves em agosto e
setembro de 1962. Nesse contexto, fortaleceu-se a posição
dos que defendiam a realização de um plebiscito
pelo qual a população poderia optar entre a
continuidade do regime parlamentarista ou o retorno ao presidencialismo.
Em 6 de janeiro de 1963, o retorno ao presidencialismo contou
com 82% dos votos da população, o que conferiu
amplos poderes ao presidente, permitindo encaminhar as reformas
de base. Propunha-se uma ampla reforma dos sistemas tributário,
bancário e eleitoral, a regulamentação
dos investimentos estrangeiros e da remessa de lucros ao exterior,
além da reforma agrária e de investimentos maciços
em educação e saúde. Tal política,
de caráter claramente nacionalista, foi tachada de
comunista pelos setores mais conservadores da sociedade civil
e militar, proporcionando as condições para
o golpe militar ocorrido em 31 de março de 1964.
Na verdade, o que estava em jogo não era o embate entre
socialismo e capitalismo, mas o papel que cabia ao Estado:
investir preferencialmente no setor público (educação,
saúde, habitação, infra-estrutura urbana
e agrária) ou em setores que beneficiavam as empresas
privadas (como o de usinas, o de estradas e de pontes). A
vitória, garantida pela força das armas, foi
a dos que defendiam a segunda opção. A história
recente do nosso país demonstra que o caminho adotado
pelas forças conservadoras melhorou a vida de poucos,
em detrimento da maioria da população, fato
revelado pela crescente concentração de renda
ao longo do regime militar (1964-85).