A cegueira, ao criar uma formação
peculiar de personalidade, reanima novas
fontes, muda as direções
normais do funcionamento e, de uma forma
criativa e orgânica, refaz e forma
o psiquismo da pessoa. Portanto, a cegueira
não é somente um defeito,
uma debilidade, senão também
em certo sentido, uma fonte de manifestação
das capacidades, uma força, por
estranho que seja, semelhante a um paradoxo.
Vygotsky
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Em
1998, diretrizes educacionais referentes
à matrícula da criança
com deficiência em escolas regulares
foram oficialmente decretadas por órgãos
brasileiros federais e estaduais. As escolas
passaram a seguir o estabelecido nesses
documentos, contudo com uma postura ambígua:
por um lado, aceitando as crianças
com deficiência; por outro, mantendo
a mesma estrutura, sem qualquer modificação
organizacional e sem preparar professores
e funcionários para lidarem com esses
alunos inseridos no ensino comum. A ausência
das providências necessárias
à efetivação da inclusão
fez surgir indagações sobre
o saber requerido para que a inclusão
escolar passe de uma proposta de documentos
oficiais para ações efetivas
na instituição escolar.
A etimologia dos termos inclusão
e saber evidenciam que o saber
é condição indispensável
à inclusão.
Inclusão, do verbo incluir
(do latim includere), significa
conter em, compreender ou participar de.
Inclusão escolar diz respeito ao
ato de incluir e à condição
de o aluno sentir-se contido na escola,
participando e contribuindo com seu potencial
para projetos e programações
da instituição.
Saber (do latim sapere)
significa ter gosto, ter conhecimento, ciência,
perceber, ter experiência prática.
Engloba um conjunto de elementos constituintes
do ser humano em seu sentir, compreender
e agir.
O saber necessário à
escola, para que haja inclusão, ganha
importância ao considerar-se que a
escola: 1) é a única instituição
imposta a todos e que por mais tempo mantém
contato sistemático com a criança
e o jovem; 2) é o local que a sociedade
instituiu para o ensino/aprendizagem –
processo pelo qual se desenvolvem habilidades,
raciocínio, atitudes, valores, vontades,
interesses, aspirações, integração,
participação e realização.
Assim, para que o aluno com deficiência
visual sinta-se incluído nessa instituição,
é necessário que ela o considere
na sua individualidade e na sua cultura.
Isso envolve conhecimento teórico
sobre a constituição do ser
humano na totalidade de seu ser –
corpo, afetividade, pensamento, e também
o seu contexto, com seus valores, hábitos
e linguagem específicos. Tal saber
não pode ocorrer a partir de informações
fragmentadas de disciplinas isoladas. É
indispensável a interdisciplinaridade
– a integração das áreas
do conhecimento em um equilíbrio
entre ação e reflexão,
para conhecer as possibilidades e vias perceptuais
de que faz uso a pessoa que está
no mundo sem um dos sentidos de distância:
a visão. É necessária
a interdisciplinaridade para investigar
e oferecer as condições educacionais
e recursos apropriados para o desenvolvimento
e a aprendizagem daquele cuja percepção
do que o cerca ocorre por meio dos sentidos
da audição, tato e cinestesia,
olfato e gustação.
A inclusão escolar de alunos com
deficiência visual requer, de cada
educador, o saber sobre a especificidade
de ação e contribuição
que cabe à sua área de estudos
em situações educacionais;
discernimento sobre os próprios sentimentos
e a concepção a respeito do
aluno com deficiência visual e das
possibilidades desse aluno, bem como, sobre
as expectativas que tem a respeito dele
e as conseqüentes exigências
a serem feitas.
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