Você sabia que é o cérebro que comanda o corpo? Pois é, o braço, a perna, o coração, o estômago, cada órgão do seu corpo obedece aos comandos do seu cérebro. Ele é responsável também pelas suas emoções. Então, quando você sorri ou chora, é o seu cérebro que está por trás disso.
E o cérebro ainda faz você pensar. Isso mesmo! É ele, por exemplo, que permite que você responda corretamente quando a professora pergunta quanto é 10 dividido por 2, ou em que região do Brasil fica o estado de Alagoas. Para fazer tudo isso, é preciso raciocinar e guardar muito bem as informações, para utilizá-las quando for preciso.
A casa da gente é dividida em vários cômodos: o quarto, a cozinha, a sala, o banheiro, e fazemos atividades específicas em cada um desses lugares. Do mesmo modo, o cérebro também tem suas divisões, e cada uma dessas áreas é responsável por alguma atividade. Por exemplo, existe uma área que controla nossos movimentos e põe nosso corpo para andar. Uma outra cuida dos sentidos e nos faz sentir dor quando nos machucamos. E existe também um lugar no cérebro que controla o nosso raciocínio, ou seja, é responsável por nossa capacidade de aprender e o espaço da memória, onde guardamos aquilo que aprendemos.
Como qualquer outra parte do corpo, às vezes o cérebro pode ficar doente. Quando a doençado cérebro deixa a gente sem memória, em confusão, com dificuldade para falar e fazer coisas simples, como se vestir ou andar, isso é chamado de demência.
A demência já era conhecida desde o tempo dos antigos gregos e romanos. E já naquela época se sabia que essa doença fazia parte do envelhecimento de algumas pessoas. À medida que elas iam ficando mais idosas, os sintomas iam piorando, e elas começavam a fazer coisas como se fossem crianças. Por isso, todos começaram a dizer que elas estavam na segunda infância.
Desde muito tempo, os pesquisadores procuravam entender o que acontecia com o cérebro quando ele sofria de demência. No entanto, foi em 1906 que um médico alemão, Alois Alzheimer, apresentou em um encontro de medicina a descrição da doença de uma mulher que tinha problemas de memória e também dificuldade para falar. Na época, Alzheimer impressionou bastante seus colegas médicos com a descrição dessa doença. E, em 1910, Emil Kraepelin, outro médico famoso, passou a chamar esse tipo de demência de doença de Alzheimer.
Mas, afinal, o que é essa doença de Alzheimer que a avó de Paula tem? Você lembra que cada parte do cérebro é responsável por alguma função? Então, no caso da vovó Ana, a região que controla a memória ficou doente, e aos poucos ela foi esquecendo as coisas do dia-a-dia. Não se lembrava mais do que fez no dia anterior, com quem se encontrou ou falou, nem o que viu e ouviu.
As pessoas que têm Alzheimer podem, por exemplo, esquecer o fogão ligado, a torneira aberta e até o nome de pessoas da família, como filhos e netos. Isso acontece porque o cérebro não consegue mais guardar as informações dentro dele, e a pessoa começa a confundir o passado como presente. É por isso que a vovó Ana perguntava várias vezes a mesma coisa e só conseguia se lembrar de coisas antigas.
Com o passar dos anos, a doença vai piorando. O arquivo de palavras vai se apagando do cérebro, e a pessoa não consegue mais achar as palavras para dizer o que está pensando. Por isso, começa a ficar calada, triste, não quer mais conversar com ninguém. Vestir-se ou segurar o talher para comer, por exemplo, vai se tornando difícil, pois a pessoa esquece até que movimentos tem que fazer para levar a comida à boca.
Além disso tudo, a pessoa esquece o dia, o mês, o ano em que está vivendo. Não se lembra do nome da rua nem do bairro onde mora. Por isso, quando as pessoas com Alzheimer saem sozinhas, elas podem se perder e não conseguir mais voltar para casa. Às vezes, mesmo estando em casa a pessoa quer ir embora, porque não reconhece mais aquele lugar como sendo sua moradia. Em alguns casos, passa a não reconhecer mais os familiares, acha que são estranhos.
Ao olhar para uma pessoa com a doença de Alzheimer, a gente fica triste porque sabe que essa doença ainda não tem cura, e os médicos também não sabem direito por que ela acontece.
Quando o médico examina o cérebro de uma pessoa com Alzheimer, vê uma porção de coisas estranhas, que parecem sujeira dentro dele. Na verdade, são estruturas chamadas placa amilóide e emaranhado neurofibrilar. Nomes esquisitos, não é? Mas é isso mesmo que a gente encontra no cérebro que tem Alzheimer.
Mesmo não sabendo por que o cérebro adoece, sabemos que é mais difícil para uma pessoa que trabalha bastante, estudando, pensando, sendo curiosa e procurando aprender coisas diferentes, ficar doente de Alzheimer. Outra coisa que ajuda muito é não ficar aborrecido e triste por qualquer motivo. Quem tem uma vida mais alegre e ativa afugenta essa e outras doenças cerebrais.
Ah! Também é importante dizer que quem faz exercícios físicos e tem uma dieta saudável, ou seja, come bastante frutas e vegetais, também pode estar se protegendo da doença.
Pois é, pessoas como vovó Ana merecem todo o nosso carinho e respeito. Doentes como ela dependem de nós para continuar levando suas vidas, sem acidentes, sem deixar de se alimentar, tomar banho ou se distrair. É preciso também estimulá-los a fazer coisas que ajudem o cérebro a trabalhar, como jogar cartas, montar quebra-cabeças, jogos de armar, cuidar de um
jardim. Enfim, tratá-los bem. Por isso, aqueles que tomam conta dessas pessoas são chamados
de cuidadores.
É bom ser cuidador, mesmo que às vezes seja difícil e cansativo. Essa é uma forma bonita de ajudar os outros. E nada melhor do que começar fazendo isso dentro da própria casa da gente, como a personagem Paula da história que você acabou de ler.