Para
a professora Rosa Maria, a questão
da inclusão das crianças com
necessidades especiais nas escolas tem representado
o desafio de ajustar o ensino de modo a
contemplar também as necessidades
específicas de aprendizagem desses
alunos.
Rosa relata a experiência que tem
com uma menina de doze anos, com paralisia
cerebral. Helena (nome fictício)
é uma criança doce, cativante,
com uma enorme vontade de aprender, mostrando-se
atenta o tempo todo. A forma como ela costuma
expressar interesse e entusiasmo é
por meios-gritos – manifestação
que hoje vem sendo trabalhada sob a orientação
de fonoaudióloga.
Helena faz tratamento duas vezes por semana
em uma associação de apoio
a crianças com necessidades especiais
chamada APAC. Sua deficiência a impede
de falar, andar e até segurar um
lápis, pois ela não tem coordenação
motora fina. Na escola, a garota é
assistida por uma estudante de pedagogia
contratada pela mãe.
Quando ingressou na escola, Helena ainda
não tinha uma cadeira de rodas. Sentavam-na
em uma cadeira com assento de madeira, que
precisava ser arrastada pela sala para que
ela pudesse participar das atividades. A
iniciativa de uma estagiária de organizar
uma “vaquinha” entre amigos
resultou na possibilidade da compra de uma
cadeira de rodas com mesinha acoplada, própria
para as atividades escolares. Mas ela ainda
não dispõe de uma cadeira
para se locomover na rua ou em casa.
Rosa faz questão de que Helena participe
ativamente de todas as atividades, inclusive
as de educação física
– sempre dentro de suas possibilidades,
é claro. E para isso ela sempre está
testando novas estratégias.
Seu grande desafio é alfabetizar
Helena, que escreve ora usando uma letra
para cada sílaba, ora duas, o que
demonstra avanços em relação
ao início do ano. Essas conquistas
foram possíveis graças a uma
lousa com letras imantadas, que a professora
coloca à disposição
da garota. Isso permite que ela reflita
sobre a própria escrita e avance
nos seus conhecimentos sobre a língua.
Atualmente, Rosa analisa a possibilidade
de aquisição de um teclado
adaptado – que não é
barato –, para que Helena tenha acesso
ao computador. Ela lamenta apenas não
poder ajudá-la mais. A professora
lembra que há outras crianças
na classe que também precisam de
atendimentos especiais.
Rosa termina seu depoimento afirmando que
é feliz por ter todo o apoio da direção
da escola e por não encontrar barreiras
para fazer o que julga preciso. No entanto,
ela faz duas reivindicações:
a inclusão das crianças com
necessidades especiais nas escolas regulares
deveria vir acompanhada de infra-estrutura,
e o investimento com os professores deveria
ser maciço e ininterrupto. |
Rosa
Maria Antunes de Barros é
professora da Rede Municipal de São
Paulo e formadora de professores alfabetizadores.
Desde o início de sua trajetória
profissional, tem se empenhado em compreender
os processos de aprendizagem de crianças
e adultos. Nos últimos anos, seu
maior desafio tem sido incluir crianças
com necessidades especiais – não
apenas por meio da convivência no
espaço escolar, mas, sobretudo, por
meio de esforços voltados para a
aprendizagem efetiva por parte dessas crianças. |