É com nítido orgulho que
a consultora interna de gestão
da Companhia de Engenharia de Tráfego
(CET) e investigadora do Centro Internacional
de Reabilitação, Flávia
Maria de Paiva Vital, fala da instituição
onde trabalha. “A excelência
que a CET vem impondo em sua prestação
de serviços à população
de São Paulo me permitiu realizar
ações voltadas às
pessoas com deficiência.”
Formada em Comunicação Social
pela FAAP de São Paulo, Flávia
atua também como voluntária
no Centro de Vida Independente Araci Nallin
– do qual é presidente. Como
se fosse pouco, trabalha na elaboração
da Convenção Internacional
sobre Direitos Humanos das Pessoas com
Deficiências, iniciativa da Organização
das Nações Unidas (ONU).
Nem tudo, no entanto, é trabalho
na vida da consultora. “Meu lazer
é estar junto com a família,
ler muito e jogar conversa fora com os
amigos.”
Flávia Maria de Paiva Vital, em
entrevista, fala sobre inclusão
de pessoas deficientes, do projeto “Igualdade
na Diferença” e de suas
próprias dificuldades físicas.
Acompanhe a seguir o resultado dessa conversa.
Qual
é exatamente sua dificuldade física?
Como ela interfere no seu cotidiano?
Flávia
Maria de Paiva Vital:
Tenho seqüelas de pólio, hoje
agravadas pela síndrome pós-pólio.
Principalmente nos grandes centros urbanos,
o maior problema é que quanto mais
severa é a seqüela que você
tem, menor a cidade se torna para você.
Como
observa a importância de valorizar
a integração de crianças
e jovens portadores de deficiências
no ambiente escolar?
Flávia:
O que deve haver é a inclusão
dos alunos com deficiência nas escolas
de ensino regular. Os alunos com deficiência
têm direito à igualdade de
acesso às informações
como os alunos não-deficientes.
E é sabido que a convivência
com esses alunos é proveitosa para
todos, além de tornar o mundo mais
justo. Para isso, as escolas têm
que se capacitar, oferecendo acessibilidade,
professores treinados, material didático
adequado.
O projeto
“Igualdade na Diferença”
direciona aos educadores uma série
de materiais que os auxiliam a lidar com
portadores de necessidades especiais.
São livros que relatam situações
de diferença, propostas pedagógicas,
artigos, depoimentos e entrevistas. Pela
sua experiência, algum outra ação
seria relevante para o projeto?
Flávia:
Os educandos devem estar junto com os
formadores de políticas públicas
voltadas à educação
e às pessoas com deficiência,
através de seus Conselhos municipais,
estaduais e federal. Convivo no meu dia-a-dia
com locais totalmente proibidos para mim,
sem o mínimo de acessibilidade,
mas dos quais participo, de alguma forma.
A acessibilidade é um assunto fundamental.