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“Considero primordial essa iniciativa, pois todos nós devemos colaborar para a inclusão”
Maria Cecília Araújo Magri
 
 

“Considero primordial essa iniciativa, pois todos nós devemos colaborar para a inclusão”

Maria Cecília Araújo Magri
A nutricionista Maria Cecília Araújo Magri é mãe de Maria Fernanda, uma garota de 13 anos. A filha tem amaurose congênita de Leber, uma doença rara, em que há alteração de uma camada da retina.

Em entrevista, Maria Cecília dá detalhes do problema de visão de Maria Fernanda, fala da trajetória educacional da filha (hoje cursando o 6º ano do ensino fundamental) e comenta o projeto “Igualdade na Diferença”.

Qual é a história de Maria Fernanda e do problema que tem?
Maria Cecília Araújo Magri: Fernanda tem uma doença de nascença, a amaurose congênita de Leber. Ela também apresenta dificuldade motora, possui ritmo mais lento para executar as tarefas. Mas tem percepção de luz e seu intelecto é excelente.

Maria Fernanda estudou na escola Padre Chico, referência no atendimento a crianças especiais. Quais as principais lembranças desse período? Como está hoje a vida educacional de sua filha?
Maria Cecília: Ela estudou no Padre Chico do preparatório à 3ª série do ensino fundamental. Essa fase foi muito boa, deu a ela uma ótima base para cursar escola comum, onde está há 2 anos.

Acho a escola especializada essencial para a criança e a família serem orientadas de como é o ensino para esses casos. Optei por mudá-la de escola, pois queria que ela convivesse com crianças com visão normal. Ela está muito feliz nesta escola – Colégio Micael Waldorf, de São Paulo –, tem muito trabalho sensorial, manual, com música, instrumentos, além de inglês e alemão.

Fernanda é bem sociável. Tenho trabalho para transcrever seus deveres, porém essa é uma forma de participar ativamente de sua vida escolar.

O sistema educacional do estado de São Paulo e do país tem correspondido às expectativas? A integração de crianças e jovens portadores de necessidades especiais está sendo levada com qualidade e eficiência?
Maria Cecília: Não tenho muita base sobre a educação do estado, pois a Fernanda cursa escola particular. Convivo com mães, cujos filhos cursam escolas públicas, que precisam correr atrás de outros recursos.

Não dispomos de livros didáticos em braile, a não ser que paguemos por isso, ou a fundação Dorina Nowill [entidade dedicada à produção e divulgação de livros em braile] seja solicitada para tal. Porém, a demanda é muito maior que a oferta. Quanto à integração, ela é relativa, está no início. O fundamental é a participação da família, sua aceitação e batalha.

Como observa a pertinência do projeto “Igualdade na Diferença”? Oferecer ferramentas de qualidade aos educadores é fundamental?
Maria Cecília: Considero primordial essa iniciativa, pois todos nós devemos colaborar para a inclusão, principalmente com apoio na área de educação. Essa é a base: o saber traz liberdade para o ser humano.

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